Freelancer: como cobrar em dólar quando sua conta não é em dólar

Equipe 8apps·

Cobre na moeda do cliente, receba na sua e não se surpreenda mais com a diferença: cláusula da fatura, planilha de controle e hábitos de câmbio que protegem a margem.

A diferença entre o que você faturou e o que caiu na conta

Todo freelancer com clientes no exterior aprende do mesmo jeito: a fatura dizia US$ 2.000, o banco mostra outra coisa na sua moeda, e a diferença – variação cambial mais o spread da conversão – saiu do seu bolso. Você não controla o câmbio, mas pode parar de ser pego de surpresa, embutir isso no preço e manter o registro em ordem. Três hábitos resolvem.

Hábito 1 – faça o orçamento já pensando na data da taxa

Ao definir uma diária ou o preço de um projeto na moeda do cliente, converta de volta pela taxa de hoje e veja por onde o par andou nos últimos meses – um preço que só fecha com a taxa deste mês é um preço com um vazamento. Regra prática, e assumida honestamente como tal: deixe margem para a variação, ou combine o preço na sua própria moeda e deixe a conversão por conta do cliente.

Uma cláusula de fatura que vale adaptar:

Os valores estão expressos em USD. O pagamento é devido em USD; eventuais custos de conversão ficam a cargo do pagador.

Simples, justa, e leva a conversa sobre o spread para antes do trabalho, em vez de depois do pagamento.

Hábito 2 – acompanhe faturado e recebido em duas colunas

A planilha de controle precisa de um recurso de honestidade que falta na maioria dos modelos de fatura – a diferença à vista:

DataClienteFaturado (USD)Taxa na faturaEsperado (local)Recebido (local)Diferença

A coluna Esperado (Expected) usa a taxa da data da fatura – no Planilhas Google, =INDEX(GOOGLEFINANCE("CURRENCY:USDSGD","price",A2),2,2) arrastada para baixo (troque SGD pela sua moeda) e depois congelada como valores, uma vez conferida. A coluna Recebido (Received) vem do seu banco. A coluna Diferença, somada ao longo de um trimestre, é o seu custo cambial real – o número que mostra se a margem do hábito 1 está bem calibrada. As ressalvas do Google cabem tranquilamente nessa precisão: a cotação em tempo real tem "atraso de até 20 minutos", e o Google "não pode garantir a precisão das taxas de câmbio exibidas". O controle de faturas multimoeda é a versão completa desta planilha.

Nota: As fórmulas deste post separam os argumentos com vírgulas. Se a sua planilha estiver configurada com a localidade Brasil, use ponto e vírgula (;) no lugar delas.

Hábito 3 – converta na hora de decidir, não depois

As conversões que saem caras são as que você não fez: aceitar uma mudança de escopo "pequena" cotada na moeda do cliente, cobrar uma taxa de urgência no chute, ler uma contraproposta em uma moeda que você não domina de cabeça. O hábito é mecânico – converta cada número antes de dizer sim a ele.

É para esse momento que o Currency Converter foi feito: o e-mail do cliente aberto no Gmail, a proposta aberta no Documentos Google, e a barra lateral convertendo na hora – taxas atualizadas de mais de 180 moedas dentro do Gmail, Documentos Google, Google Agenda, Apresentações Google e Planilhas Google, ilimitado e gratuito na barra lateral, sem cadastro. A planilha de controle guarda o registro; a barra lateral evita que você aceite números que ainda não entendeu. (Para as taxas da data da fatura do hábito 2, o plano Premium acrescenta uma fórmula para o Planilhas Google com histórico desde 2000.)

Fontes